Você quer encontrar clientes para seus produtos no exterior sem precisar sair de casa? Está interessado em exportar, mas não tem dinheiro para financiar suas viagens para o outro lado do planeta? Pois saiba que a solução para os seus problemas pode estar na internet, a rede de computadores que uniu os quatro cantos do planeta. De olho na conveniência e nas oportunidades oferecidas pela web, uma legião cada vez maior de empreendedores do país recorre ao mundo virtual para aumentar as suas vendas lá fora. Eles usam a internet como instrumento de prospecção de novos mercados, de busca de compradores internacionais, de estudo sobre as barreiras técnicas dos diversos países e até de acertos preliminares em relação aos contratos com os importadores.
O Portal do Exportador, site criado há três anos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por exemplo, registrou um total de 40.000 acessos somente em setembro, número 10% superior ao do mesmo período de 2003, segundo dados oficiais. Atualmente, há uma média de 1.300 visitas diárias ao site contra 460 registradas logo depois de seu lançamento. "O objetivo do portal é o de facilitar a vida do exportador brasileiro, de acordo com a política de desburocratização do governo", diz o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho.
Ao que tudo indica, o site consegue atender boa parte das necessidades de quem deseja vender, pela primeira vez, seus produtos no exterior ou ampliar suas vendas lá fora. O portal ensina os primeiros passos a serem dados para ingressar com o pé direito no comércio internacional, indica onde obter créditos para exportação, lista os acordos comerciais entre os países, dá aulas de legislação e sugere até oportunidades de negócios no mercado externo. Em suas páginas, há um serviço do tipo tira-dúvidas, batizado como Fala o Exportador, no qual técnicos do ministério respondem diariamente aos e-mails recebidos do Brasil e do exterior.
A analista de exportação da Golden Trade, empresa do Rio de Janeiro que cuida de importações e exportações, Jacqueline Brick, 41 anos, navega diariamente, das 8 horas da manhã às 17 horas, em seu computador para garimpar oportunidades de negócios em todo o mundo e diz que os navegadores de primeira viagem devem conhecer alguns truques antes de procurar compradores por meio da internet.
ESPIONAGEM - Jacqueline recomenda visitas às páginas oficiais dos países parceiros do Brasil. Na página de Portugal ela descobriu, por exemplo, um filão: há ali uma página de anúncios classificados na qual os empresários portugueses anunciam o que pretendem comprar. Desta forma, ela já vendeu calçados e material odontológico do Rio para Lisboa. Seu método de trabalho não prevê viagens ao exterior. Nunca tive problemas com o europeu, que é do tipo certinho, diz.
Outra sugestão da analista para reduzir as dificuldades do exportador que não domina línguas estrangeiras, como o inglês e o espanhol, idiomas indispensáveis nos principais mercados, é acessar os sites que fazem tradução automática de documentos, como o www.freetranslation.com. Além disso, ela diz que procura ter sempre ao alcance das mãos um dicionário. Na internet, não há só bagunça ou atividades de lazer, afirma Jacqueline. Quem quiser ir atrás com certeza vai encontrar boas oportunidades de negócios lá fora.
A comunidade dos navegadores eletrônicos brasileiros acessa até onde menos se imagina na hora de buscar informações sobre o comércio internacional. Um dos sites citados pelos exportadores mais experientes e por consultores especializados é o da agência de inteligência americana, a CIA. Notória por espionar meio mundo e meter-se em conspirações dentro e fora dos Estados Unidos, a CIA publica em seu site, nada secreto, informações atualizadas sobre a situação econômica e política dos países. No site, encontra-se uma radiografia detalhada sobre o PIB (Produto Interno Bruto, o indicador que mede a produção do país), renda e crescimento econômico. Para não fugir ao esperado, enumera as ameaças vigentes à estabilidade das nações.
O site da CIA é visitado regularmente pelo executivo Alberto Close, gerente de exportação da Prática Technicook, de São Paulo, que fabrica fornos de aço inoxidável para restaurantes e fatura 9,5 milhões de reais por ano. Incentivada pela conquista de clientes aqui mesmo, no Brasil, como os restaurantes da Ford e da Sadia, a Prática deu início às exportações em 2003 e, atualmente, vende seus produtos para dez países da América Latina. Close visita as páginas da CIA sempre que está em busca de um novo mercado.
Recentemente, ele passou a navegar pelas páginas do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. O dono da empresa, o engenheiro André Luiz Rosa Rezende, 45 anos, marcou para maio do ano que vem o início das vendas para o mercado americano.
REGISTRO OBRIGATÓRIO - Segundo Ramalho, do Ministério do Desenvolvimento, a informatização de sistemas da Receita Federal também facilitou - e muito - a vida dos exportadores. Desde 2003, as 18.000 empresas exportadoras do país podem fazer o registro obrigatório das vendas internacionais no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), da Receita, por meio da internet. A exemplo do que ocorreu com a declaração do Imposto de Renda nos últimos anos no país, tudo agora pode ser feito pela rede. O exportador não precisa mais deixar seu escritório e encher folhas e folhas de papel para poder enviar as mercadorias lá para fora, afirma Ramalho.
A possibilidade de fazer o registro eletrônico no Siscomex foi uma revolução no trâmite das exportações brasileiras, diz um especialista no assunto, o professor Arnaldo Brazil, do curso de MBA da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), de São Paulo. Nem tudo, porém, são flores neste mundo digital, como afirma Brazil. A internet veio para ficar no comércio internacional, diz ele.
Brazil afirma, contudo, que isso não significa que a rede seja uma panacéia. Suas razões:
- Ainda continua imprescindível a participação das pequenas e médias empresas exportadoras em feiras internacionais, a real vitrine de exibição de seus produtos. Neste caso, a internet pode ajudá-lo a conhecer melhor a cultura do país em que a feira ocorre e até a marcar encontros em seu estande com os prováveis compradores de seus produtos.
- É fundamental você conhecer a legislação do país em relação à área de atuação de sua empresa e, muitas vezes, isso exigirá a opinião de especialistas daqui e até do exterior. Não venda para empresas de um determinado país sem conhecer com antecedência a sua legislação.
- É essencial realizar uma reunião pessoal com os compradores de seus produtos antes de fechar um contrato. As exceções à regra resumem-se aos mercados de livros, CDs e vídeos, que são vendidos para o exterior por meio dos sites das livrarias e de locadoras, por envolverem quantidades e valores considerados pequenos. Há muita mentira na internet, afirma o professor. Portanto, não assine nada sem conhecer de perto quem está do outro lado da tela. |